Meu Caminho a Santiago de Compostela pela terceira vez teve a diferença da companhia . Companhia esta que se mostrou muito solícita e gentil em compartilhar o Caminho comigo, já que eu havia pensado que até poderia atrapalhá-lo em seu ritmo de caminhar. Mas não atrapalhei e me senti com um parceiro ideal no ritmo e largura dos passos.
Revivi muitos lugares que já havia passado, mas que estavam com melhorias. A entrada de muitas cidades está renovada, com calçamento que não existia anteriormente. A experiência de hospedagem em albergues é única, a mesma sensação das outras vezes se demonstrou nesta vez. É gostoso chegar nos albergues e se sentir acolhido e premiado por uma cama confortável para relaxar da caminhada, muitas vezes maior do que se pretendia naquele dia.
Alguns dias a caminhada ultrapassou o que era esperado. Teve um dia de 37 e outro de 38 km. Marca recorde, para mim, uma peregrina que das outras vezes se valeu de caronas ou de ônibus para suportar os últimos quilômetros do dia. E assim o Caminho foi se apresentando de cidade em cidade com muita perseverança minha, do meu companheiro e de outros peregrinos que seguíamos paralelamente.
A chegada à Catedral foi emocionante, revi os lugares já passados e me deu certo frenesi de me ver mais uma vez por ali, num lugar tão distante de casa e tão familiar. Na missa, chorei por me emocionar ao ver o botafumeiro e a freira cantando o Hino a Santiago, num tom envolvente e enebriante que preenche a alma de vida. Vida esta conquistada através de esforço e muita saúde durante o Caminho.
Quando terminou o Caminho, senti falta de caminhar, de encontrar pessoas com o mesmo propósito de vida diário. Mas essa é a vida, as situações se apresentam e nós vamos administrando uma a uma e tudo continua , só quem passou pelo Caminho sabe que a vida continua, mas com algumas diferenças, umas pouco visíveis e outras escancaradas.
Para mim, algumas mudanças se apresentaram, a visão de que a vida é finita e que preciso aproveitar cada minuto que segue com todo o saber e atitude. Outra parte que me fez mudar depois do Caminho é que as emoções são para serem sentidas e vividas e me sinto mais livre para senti-las sem nenhuma crítica, a qualquer hora.
Beijos
Zelia
Zélia Maria Ferreira. Publicado a las 19:41.