datas
3 março a 20 abril 2026
Quando?
Breve
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Na terça-feira, 3 de março, às 12h, Emiliana Pérez e Fulvio Gonella apresentarão este projeto colaborativo, que propõe uma investigação conjunta sobre o fardo invisível do cotidiano. Não se trata de representar o cansaço, a apatia ou a irracionalidade, mas de dar-lhes forma, atmosfera e linguagem.

O projeto parte de uma observação simples, psicológica e política: viver hoje exige carregar um peso constante — emocional, laboral, social — que permeia tanto os corpos quanto os sistemas de produção, as palavras e os materiais.

O trabalho de Emiliana Pérez é um projeto multidisciplinar que incorpora diversas disciplinas: fotografia, colagem, instalação e videoarte. Entre os materiais utilizados, a parafina destaca-se como uma substância que perdura através das mudanças de estado; aqui, ela serve como metáfora física para o trabalho contemporâneo. Cada bloco, cada camada, cada impressão registra a pressão, o calor e o esforço acumulado da vida cotidiana. Sua prática fala de resistência ativa, não por rigidez, mas por adaptação: a capacidade de se solidificar novamente após cada transformação.

Enquanto isso, Fulvio Gonella confronta o peso do presente através de uma estética do colapso semântico. Seu trabalho não se limita a coletar testemunhos, mas intervém na ferida aberta do discurso contemporâneo: slogans corporativos, promessas políticas e angústia existencial colidem na tela preta, emulando a tela em branco ou o quadro-negro de um sistema falido. Gonella pratica um vandalismo iluminado onde a linguagem é despojada de sua função comunicativa para se revelar como ruído, ironia e declaração, expondo a fragilidade das narrativas — sucesso, identidade, progresso — que supostamente sustentam nosso fardo diário.

Emiliana Pérez aborda o retrato dos indivíduos do século XXI a partir de uma perspectiva psicológica, estimulando a reflexão sobre como vemos, interpretamos e atribuímos significado às imagens, relacionando-as aos estudos psicológicos da percepção e cognição visual.

Fulvio Gonella disseca o presente através da saturação semântica: fragmentos da retórica corporativa e urbana colidem para revelar o vazio. Suas intervenções não são vestígios passivos, mas curtos-circuitos visuais de uma sociedade que produz resíduos ideológicos mais rapidamente do que bens reais.

Se a obra de Pérez conserva o calor do corpo, a de Gonella conserva a dissonância da voz.

"O Peso do Presente" não busca representar a crise do nosso tempo, mas sim habitá-la com dignidade. As obras não falam de colapso, mas de persistência; não de um fim, mas de resistência cotidiana. O projeto propõe um diálogo entre a matéria que suporta e a linguagem que recorda, entre o calor e o silêncio, entre o que funciona e o que é escrito.

Endereço e localização no mapa

  • Endereço postal Archivo Histórico Provincial de Ávila - Pza. Concepción Arenal, s/n. município de Ávila . NaN. Ávila